Palestrante do 5° SIIPE – Brasília e representante do Ministério das Cidades conversa sobre a atuação no financiamento de projetos de PPPs
Durante entrevista à Revista Smart Cities Brazil, diretamente do canal Brazil Connection, canal de divulgação do 5º SIIPE – Simpósio Internacional de Iluminação Pública e Cidades Inteligentes, Yuri destacou como os financiamentos estruturados, as PPPs e o mercado de capitais vêm se consolidando como instrumentos estratégicos para acelerar projetos urbanos inovadores no Brasil. Segundo ele, mecanismos como debêntures incentivadas, securitização e fundos de investimento permitem ampliar a participação do setor privado, distribuir riscos e aumentar a segurança jurídica dos projetos.
O especialista ressaltou que os modelos tradicionais de financiamento público já não conseguem atender sozinhos à crescente demanda por infraestrutura urbana, sustentabilidade e transformação digital. Nesse contexto, as cidades inteligentes surgem como um setor dinâmico, que envolve desde iluminação pública e mobilidade urbana até monitoramento, conectividade e serviços digitais.
Mercado de capitais, adaptação climática e inovação urbana
Yuri afirmou que o mercado de capitais pode trazer maior agilidade e capacidade adaptativa aos projetos urbanos, principalmente diante das rápidas transformações tecnológicas e das demandas climáticas. Ele destacou que projetos estruturados conseguem reduzir burocracias e acelerar entregas que, em modelos tradicionais, poderiam levar anos para serem concluídas.
A entrevista também abordou a importância crescente dos critérios ESG, da governança e da adaptação climática na atratividade dos investimentos. Como exemplo, Yuri citou experiências internacionais de reconstrução resiliente após desastres naturais, além de defender soluções brasileiras mais alinhadas à realidade local, como cidades-esponja e estratégias baseadas na natureza.
Municípios, consórcios e os novos modelos de cidades inteligentes
Ao analisar a capacidade dos municípios brasileiros em atrair investidores privados, Yuri reconheceu que ainda existe grande desigualdade técnica e financeira entre as cidades. No entanto, apontou exemplos positivos, como o município mineiro de Carmo do Cajuru, que implantou uma PPP integrada envolvendo iluminação pública, conectividade, energia fotovoltaica, videomonitoramento e Wi-Fi público.
Ele também destacou o potencial dos consórcios intermunicipais como alternativa para cidades menores ganharem escala e atratividade econômica em projetos de cidades inteligentes. Segundo Yuri, os projetos-piloto previstos pelo Decreto 12.210 deverão contribuir para amadurecer modelos replicáveis de PPPs e concessões urbanas no país.
Ao final, o especialista reforçou que cidades inteligentes não devem ser vistas apenas como infraestrutura tecnológica, mas como políticas públicas centradas no cidadão, na sustentabilidade, na transparência e na melhoria da qualidade de vida da população.
Quem é Yuri Giustina?
Possui graduação em Engenharia Mecânica pela Universidade de Brasília (1993), especialização em Tratamento e Destinação Final de Resíduos Sólidos e Líquidos pela Universidade Federal de Goiás (2003) e mestrado em Planejamento e Gestão Ambiental pela Universidade Católica de Brasília (2004). Em 2023 concluiu o MBA Executivo em Planejamento, Financiamento e Governança Pública pela Fundação Getúlio Vargas.
Ingressou no serviço público federal em 2008 como Especialista em Infraestrutura Sênior, após atuação na Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal – CAESB e na Agência Nacional de Águas – ANA. No Governo Federal, exerceu cargos de direção e assessoramento no Ministério das Cidades, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos e Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
Foi Chefe de Gabinete da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, Diretor de Políticas de Acessibilidade e Planejamento Urbano, Diretor de Gestão de Risco e Reabilitação Urbana, e Coordenador-Geral de Governança de Fundos, com destaque para a gestão do FNDCT. Atuou também como professor da FIOCRUZ e professor convidado da ENAP, ministrando disciplinas e palestras sobre planejamento urbano, saneamento e prevenção de riscos de desastres naturais, no Brasil e no exterior.
Atualmente, é Diretor de Adaptação das Cidades à Transição Climática e Transformação Digital no Ministério das Cidades

