Direto da I4 Brasil fala sobre a realidade atual das Parcerias Público-Privadas e destaca pontos importantes para o desenvolvimento de novos projetos
Nesta última terça-feira (07) de abril, nossa equipe teve a oportunidade de conversar com Luis Parma, diretor da I4 Brasil e um dos anfitriões do 5° SIIPE Brasília – Simpósio Internacional de Iluminação Pública e Cidades Inteligentes.
Governança e comunicação: Os pilares invisíveis dos projetos
Um dos principais erros na estruturação de PPPs, segundo Luis Parma, é tratar projetos apenas sob ótica técnica, ignorando fatores institucionais e sociais.
Parma afirma:
Simplificar projetos exclusivamente a aspectos técnicos é um erro recorrente, Sem governança e comunicação, o projeto não se sustenta
Ele também ressalta que a falta de diálogo entre o setor público, mercado e população é um dos principais gargalos enfrentados hoje no país.
Luis bate muito nessa “tecla“ de que o projeto seja pensado originalmente para o bem da população e para o bem da gestão do gestor de segurança. Além disso, muitos municípios ainda carecem de um ambiente institucional estruturado, o que compromete desde a modelagem até a execução dos contratos.
Parma explica que os projetos bem-sucedidos são aqueles que conseguem antecipar riscos e estruturar uma matriz equilibrada entre os parceiros públicos e privados, especialmente considerando que os contratos de PPPs podem durar de 20 a 30 anos, atravessando diferentes gestões ao longo do tempo.
Da Iluminação pública às cidades inteligentes integradas
O Brasil vive uma clara evolução no modelo de PPPs. Entre 2010 e 2017, o foco esteve concentrado na modernização da iluminação pública. A partir de 2017, com a primeira PPP de cidade inteligente em Cajuru (MG), iniciou-se uma nova fase: a integração de múltiplas soluções em um único contrato.

Parma destaca:
Hoje, não faz mais sentido pensar em projetos isolados. A integração entre iluminação, energia e tecnologia traz ganhos reais de eficiência
Segundo ele, essa integração permite compartilhar equipes de manutenção, reduzir custos operacionais e ampliar a eficiência da gestão pública. Mais importante ainda é o impacto direto na vida do cidadão.
Parma reforça:
A lógica precisa partir da dor do cidadão. Iluminação associada ao videomonitoramento, por exemplo, resolve um problema real de segurança
Dados, regulação e o futuro das PPPs no Brasil
Com avanço das tecnologias, os projetos de cidades inteligentes passam a incorporar sensores, câmeras e sistemas conectados capazes de gerar dados em tempo real. Esses dados, quando bem utilizados, se transformam em inteligência para a gestão pública.
Parma afirma:
O grande valor está em transformar dados em decisão. Antecipar problemas é o que diferencia uma cidade inteligente.
Apesar do potencial, ele alerta para os desafios regulatórios importantes. A falta de alinhamento entre tribunais de contas e a ausência de uma política nacional para as cidades inteligentes dificultam a padronização e a escala de projetos.
Ainda assim, Parma observa que o Brasil possui diferenciais relevantes, como modelo de ressarcimento de estudos, que permite ao setor privado assumir riscos na estruturação sem custos iniciais para os municípios.
Por fim, ele aponta que o país caminha para uma nova etapa: a das PPPs digitais orientadas por dados, o que exigirá não apenas evolução tecnológica, mas também institucional.
Parma conclui:
A inovação muitas vezes chega antes da preparação institucional. O desafio agora é amadurecer esse ambiente.
Conselho de Parma aos municípios que sejam iniciar PPPs
Como anfitrião do 5° SIIPE, Luis Parma deixa um recado aos gestores públicos que estão começando:
Os municípios precisam escolher bem seus estruturadores, priorizando aqueles que tenham capacidade de promover o debate necessário entre população, câmara e executivo
Ele reforça que a comunicação e a governança são os principais diferenciais entre projetos bem-sucedidos e aqueles que enfrentam dificuldades.
Luis entende que não é somente a técnica, mas o conjunto da articulação, diálogo e construção. Sem isso, na sua visão, o projeto não se sustenta no longo prazo.

Quem é Luis Parma?
Luis Fernando Parma é especialista em estruturação de projetos de infraestrutura e parcerias público-privadas (PPPs), atualmente Diretor de Projetos e Novos Produtos da i4 Brasil. Com formação em Gestão Pública pela UFMG e MBAs pelo IBMEC e MIT, acumula ampla experiência no setor público e privado, tendo atuado como gestor e subsecretário municipal.
Ao longo da carreira, participou da modelagem de mais de 50 projetos de PPPs em diversas áreas, como energia, saneamento, segurança pública e tecnologia, somando mais de 2.500 horas de atuação técnica. Possui certificação internacional em PPPs (CP3P), vinculada ao Banco Mundial e ao BID.

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